Pesquise aqui...
TOP
Uncategorized

Não tenha medo do desconhecido

Ontem aconteceu aqui em BH o MIT, workshop que engloba moda, informação e transformação. Gosto muito do evento e vou sempre que posso. É fato que vou sair de lá com algo de inspirador, sabe? Uma das palestras que eu mais queria assistir era de Virgínia Neves, mineira aqui de BH e que é estilista de uma das minhas marcas de alta costura favorita, a Elie Saab. Pensei que ela iria me encantar somente com o trabalho desenvolvido na maison, mas não. Foi a história dela que me fez pensar em muita coisa na minha própria vida. 
Quando Virgínia subiu ao palco para falar sobre sua carreira e trajetória, vi uma menina tímida, mas muito firme e coerente, sabendo que estava ali não só para contar os prazeres de trabalhar com moda, mas também expor todos os desprazes pelo qual todo profissional passa até construir o seu nome e mostrar o trabalho que consegue realizar.
Me identifiquei com cada palavra dita pela estilista, principalmente no momento em que ela começa a contar como foi sair de BH em direção à Europa em busca de seu sonho. A palestra foi intitulada como “Don’t be afraid to step to unknown (algo como não ‘não tenha medo de ir ao desconhecido’)” e essa frase foi suficiente para eu saber que tiraria algo de muito bom de cada experiência contada pela mineira. 
Este é um ano muito decisivo na minha vida. Último ano de faculdade, aquele momento em que a gente, de fato, cresce. E, mais do que isso, sinto que estou inquieta, buscando uma posição profissional que ronda a minha cabeça com mais e mais força a cada dia. Infelizmente, mais do que nunca, tenho certeza que esse meu objetivo não está na minha adorada BH. Esse sentimento só cresce e me deixa inquieta de um jeito que vocês nem imaginam, gente. Aí, quando Virgínia falou o título da palestra dela, eu tive um estalo – que vem acontecendo constantemente me conversas que tenho tido, livros que venho lendo…
Anotei várias coisas que estilista falou ontem não só no meu bloquinho como também na minha cabeça. Virgínia sempre falava que a gente não deve abandonar nossos sonhos e eu concordo muito com isso. É importante você buscar o que sonha mesmo que seja para chegar lá na frente, no seu objetivo, e perceber que, na verdade, não era tudo aquilo que você sonhava, sabe? Achei importante também ela ter falado sobre como é importante aprender a ouvir e construir um passo de cada vez. Ninguém começa do topo e comigo não vai ser diferente – nem com você! Além disso, acho importante a gente aproveitar cada experiência e se doar em todo e qualquer trabalho que realizar (seja como estagiário faz tudo ou editor de uma grande revista).
Outra opinião dela que compartilho: é preciso provar suas ideias, levá-las à frente por si só, sem depender dos outros. Virgínia contou na palestra que nem todo mundo é como a gente, mineiro, acolhedor… Ela disse que lá na França ninguém se importava com o seu bom dia ou sua ideia superficial. Quer fazer um trabalho? Pegue e faça. Não existe alguém bondoso que vá fazer por você ou passar a mão na sua cabeça. O mundo é cruel, gente, mas é assim que crescemos. E, para crescer no meio disso tudo, é necessário ter autonomia, saber cuidar de si mesmo e de seu trabalho.
Mais um ponto da palestra que merece destaque: você pode estar morando do outro lado do mundo, mas não esqueça de suas origens. Dê valor a sua identidade. Ano que vem, se tudo der certo, não vou morar mais em BH. Isso é algo que penso desde quando entrei na faculdade mas, hoje, com toda essa minha inquietação, eu preciso sair daqui, sabe? Pode ser que daqui a um tempo isso mude, mas agora essa é a questão que vive em minha cabeça. Mesmo deixando minha cidade, não vou e nem quero esquecer tudo que ela me proporcionou, as pessoas que conheci, meus amigos, minha família. Isso é um valor importante para todos os meios da vida, concordam? 
Como disse Virgínia quase no finalzinho da palestra, tudo que importa na vida vale riscos. E depois que ela contou toda a sua saga, que envolve noites e mais noites sem dormir por causa de trabalho, vários nãos, pessoas pouco receptivas, um país estranho, até chegar à equipe de estilo de uma das marcas mais aclamadas no meio da moda, eu não poderia concordar mais com essa frase.
Eu sempre fui muito medrosa, muito mesmo. Mas, hoje, mais do que ter medo do desconhecido, eu tenho medo de não ser feliz, sabe? E se eu preciso me arriscar para ir em busca da minha felicidade, sobretudo profissional, porque não correr tal risco? Essa palestra foi só mais uma das coisas que vêm caindo constantemente no meu colo e que servem perfeitamente para esse momento em que estou vivendo, essa transição. Virgínia também disse que é importante colecionar impressões. Na hora, ela estava falando sobre inspirações para criar novas coleções ou impulsionar ideias. Criar uma coleção, por enquanto, eu não vou, mas tudo isso que tem me atropelado por aí está dando uma baita de uma coleção de experiências que, com certeza, vão me ajudar ainda mais no caminho que quero construir. 

Karla Lopes

Karla Lopes tem 29 anos, é de Belo Horizonte, empresária, jornalista e criadora de conteúdo atuando há 12 anos na internet. Além disso, é a criadora da Lunnare Co., marca de autocuidado holístico que trabalha a magia das ervas. Por aqui, vocês vão encontrar conteúdos autorais de comportamento, bem estar, espiritualidade e beleza. Tem experiência com comunicação criativa, textos de comportamento, produção de moda e cultura e também criação e edição de vídeos para a web.

«

»

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *