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Não estraguem meu Carnaval

É festa, é alegria, folia, brincadeira, todo mundo junto e aproveitando a época mais colorida do ano. Muita gente se divertindo em um mesmo local público. Espaço público. Indivíduo não. Ser mulher é lidar com assédio o tempo todo. Ser mulher é ter que aguentar homens invadindo um espaço que não é deles. E no Carnaval, uma festa, isso se intensifica – assim como em todas as outras.
Escolho a minha fantasia, me junto com os meus amigos, pinto a cara e coloco meu bloco na rua para me divertir, não para você me assediar. Não estraga mina alegria não… Deixa eu curtir meu Carnaval em paz. Não vem com seus amigos fazer rodinha em volta de mim pra me intimidar. E nem pensa em puxar meu cabelo ou meu braço para me chamar. Mulher não gosta disso não, cara. Mulher não gosta de assédio.
Me chamar de gostosa não é legal. O seu “oi, linda” não me faz me sentir linda – nem no dia a dia, nem no Carnaval. Eu não te conheço! Não tenho intimidade com quem eu não conheço. E se você perguntar se eu quero te conhecer, caso eu responda que não, aceite. Meu “não” não é um talvez. Não estou fazendo doce. Só não quero conhecer você. Não me agrida por não querer conversar com você! Se eu quiser, vou falar que sim. Sua mãe deve ter te ensinado que não é não, né? Todas ensinam! 
Tenta me beijar a força para você ver… Faço uma escândalo! E quando digo escândalo, é escândalo mesmo. Ou você acha que vou te deixar me silenciar? Não vou não… Para de achar que sou sua. Não seria se você me conhecesse. 
Ah, e não venha falar da minha roupa. Posso sair pelada na rua que você não tem direito sobre o meu corpo. Não use isso como desculpa para me assediar porque não vai colar. Vou sair com a minha fantasia e ela não é um convite para você. Nunca foi. Nunca será. Nem na folia e nem quando eu estiver indo à padaria comprar um pãozinho.
Cantada não é elogio, tá? Não é enquanto estou a caminho do meu trabalho e nem quando estou pulando no meu Carnaval. O que você pensa, guarda pra você. Eu não quero saber! Não vem gritar isso aos quatro ventos no meio da rua como se ela fosse sua. Como se eu fosse sua. Eu não sou!
Deixa eu pular meu Carnaval em paz. Se você vier conversar comigo com educação, vou ser educada também. Mas não vem me tratar como se eu fosse tão pública quanto o espaço que você está. Eu não sou, tá? Não me assedia, não me oprime, não me faça ir pra casa mais cedo. Não acaba com a minha alegria… Respeita as mina! 

Karla Lopes

Karla Lopes tem 29 anos, é de Belo Horizonte, empresária, jornalista e criadora de conteúdo atuando há 12 anos na internet. Além disso, é a criadora da Lunnare Co., marca de autocuidado holístico que trabalha a magia das ervas. Por aqui, vocês vão encontrar conteúdos autorais de comportamento, bem estar, espiritualidade e beleza. Tem experiência com comunicação criativa, textos de comportamento, produção de moda e cultura e também criação e edição de vídeos para a web.

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