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Mulher Mineira e a missão de empoderar

Segundo o dicionário, a palavra empoderamento significa “conscientização e socialização do poder entre os cidadãos, a conquista da condição e da capacidade de participação, a inclusão social e exercício da cidadania, a participação com relação a dimensões da vida social”. A gente tem ouvido muito isso graças ao movimento feminista, que nos ajuda a tomar posse do nosso poder e espalhar essa mensagem ao maior número de mulheres possível. 
Já ouvi muita gente falando que o movimento feminista é um erro, que é uma modinha, algo passageiro de Facebook. Muita gente incluindo mulheres esclarecidas, só para constar. Se algo que vem ganhando força de uns tempos para cá, atingindo pessoas que antes não sabiam desse tipo de informação e as ajudando a se libertar é considerado modinha, tudo bem. Que modinha válida, que venham mais assim, por favor! 😉
Em todo este contexto, foi lançado ontem, no Dia Internacional da Mulher, o site Mulher Mineira, criado por três universitárias com voz ativa no movimento feminista. Tive o prazer de conviver um pouco com duas delas na faculdade e acompanhar pelo Facebook o poder de emponderar e lutar que elas têm. Conversei com a Maria Beatriz de Castro, ou simplesmente Bia pra mim, editora chefe do MM, sobre a construção do site, o movimento feminista e o empoderamento feminino, vejam só: 
HC – Bia, me conte sobre o Mulher Mineira. Como surgiu a ideia e qual é o objetivo do site?

Bia – Bom Karlinha, a ideia do MM surgiu em outubro do ano passado. Meu chefe na Vilarejo Comunicação perguntou a mim e às meninas (Lorena Cristina e Ludmila Bernardes – repórteres oficiais do site) se não gostaríamos de criar um site sobre feminismo e ofereceu todo o aparato da agência (equipamentos e o trabalho dos designers para nos ajudar nisso). Pensamos num site que trouxesse debates e notícias pertinentes para as mulheres de Minas. O objetivo é trazer conteúdo alternativo e mais setorizado para quem quer saber informações sobre sua cidade. Como estão as políticas públicas para as mulheres de Minas Gerais? Qual é o cenário da violência doméstica por aqui? Quantas delegacias de mulheres existem no Estado? Queremos trazer a informação para mais perto, e também promover debates que possam melhorar nosso meio.
HC – O feminismo é um movimento que vem numa crescente impressionante (ainda bem!), mas continua gerando controvérsias, principalmente por parte das mulheres que ainda têm as amarras da sociedade apertando a sua liberdade. Se você pudesse resumir o movimento para elas, o que diria?
Bia – É um movimento que nos trouxe tudo o que temos hoje. Não há como, conhecendo história no Brasil e no mundo, não ser grata às mulheres que vieram antes de nós e lutaram pelos nossos direitos. O direito à trabalhar e estudar, ao desquite… tudo isso veio com a intervenção das mulheres na constituição. Acho que o primeiro passo para explicar o movimento seria este: fazê-las enxergar que, se hoje vivem num mundo um pouco melhor para as mulheres, se podem usar salto, sair à noite, se relacionar com quem quiserem, foi o feminismo, desde a primeira onda na década de 60, que lhes proporcionou isso. 
Agora, eu também diria que a aderência à causa é primordial. Afinal de contas, temos muito ainda pelo que lutar. Mais creches para crianças acima de 4 meses (para que as mamãe possam voltar a trabalhar), 1% de investimento do PIB no combate à violência contra a mulher (hoje em dia são investidos míseros 15 centavos em cada mulher, dá pra acreditar?), aborto seguro e legal para todas, reconhecimento da identidade de gênero das mulheres trans… Ou seja, tem muita coisa pra lutar ainda. Quem sabe, se nos empenharmos agora, nossas filhas e netas poderão viver num Brasil que não estupre uma mulher a cada dez segundos. A luta é de geração em geração.
HC – E o que você recomenda de conhecimento (sites, perfis, páginas, livros), além do Mulher Mineira, para empoderar mulheres?
Bia – A internet é um grande celeiro para que artistas, escritoras e militantes de qualquer vertente do feminismo possam se expressar. Eu leio bastante o Blogueiras Negras, o Escreva, Lola, Escreva, Blogueiras Feministas, a coluna da Jarid Arraes na Fórum… As páginas que mais curto no momento são “Empodere Duas Mulheres” e “Encrespa Geral”. Recomendo seguir os perfis da Stephanie Ribeiro, Sueli Feliziani, Djamila Ribeiro… Sempre muitos debates bons por lá! 
Já sobre os livros, sempre recomendo O Segundo Sexo, de Simone Beauvoir e O Mito da Beleza, de Naomi Wolf. Recomendo também ler (e ver as palestras) da Chimamanda Ngozi (aquela do discurso na música Flawless***, da Beyoncé) e ler a obra de Audre Lorde. Existem muuuitas outras páginas, pessoas, livros, mas se fosse dizer todos aqui, ia durar a vida inteira! Vamos trabalhar num blogroll bem completo para o Mulher Mineira também. 
HC – O Mulher Mineira tem uma equipe fixa, certo? Mas todo mundo pode colaborar? Como vai funcionar o abastecimento do site?
Bia – Temos uma equipe fixa mas qualquer mulher pode se voluntariar a escrever! Aceitamos apenas colaborações de mulheres de Minas Gerais. O texto passará por uma peneira e um processo de edição. Nós temos várias categorias no site, como maternidade, sexualidade, violência doméstica, feminismo, feminismo negro, transfeminismo… enfim, com certeza o tema que a mulher quiser abordar vai caber em alguma das categorias. Queremos atualizá-lo dia sim, dia não.
Queremos também abranger o máximo de cidades possíveis. Por isso, queremos pelo menos uma representante de cada cidade. Já temos de BH, Lavras, Santa Luzia, mas ainda é pouco. Queremos notícias reais e debates necessários desde Almenara a Poços de Caldas. Caso alguém se interesse em colaborar, o e-mail é: contato@mulhermineira.com.br
HC – Por fim, Bia, o que você espera do site? Confesso que fiquei muito feliz e inspirada ao vê-lo. Precisamos mais projetos deste tipo! É assim que você quer que as pessoas se sintam também, né?
Bia – Espero que o site inspire outras jornalistas e militantes a usarem sua profissão para doutrinar! O que eu quero dizer é que acho importante usarmos os espaços que temos para torná-los feministas. A arquiteta, a médica, a faxineira. Todas podemos usar das nossas ferramentas para possibilitar um ambiente melhor e mais justo para as mulheres viverem. Espero que toda se sintam aclamadas pelo site e que possamos mudar esse ideário macabro de que mulher na mídia só é um corpo ou uma dona de casa.
Inspirador, né? Por essas e outras que eu acredito sempre e para sempre no poder na internet, em como a gente, que trabalha com comunicação, pode usar esse espaço de infinitas maneiras para empreender, emponderar e chegar a milhões de pessoas que, talvez, não teriam essa informação por meio das mídias tradicionais. Óh, não deixem de acompanhar o Mulher Mineira porque já tem muita coisa incrível para se ver por lá! Acesse: http://mulhermineira.com.br/

Karla Lopes

Karla Lopes tem 29 anos, é de Belo Horizonte, empresária, jornalista e criadora de conteúdo atuando há 12 anos na internet. Além disso, é a criadora da Lunnare Co., marca de autocuidado holístico que trabalha a magia das ervas. Por aqui, vocês vão encontrar conteúdos autorais de comportamento, bem estar, espiritualidade e beleza. Tem experiência com comunicação criativa, textos de comportamento, produção de moda e cultura e também criação e edição de vídeos para a web.

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