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E o (pouco) espaço da mulher negra na moda e na beleza?

Há uns dias, o relato de uma modelo do Sudão do Sul levantou um debate nas redes sociais que não é novidade: o pouco espaço da mulher negra na moda e na beleza. A gente já bate nessa tecla há muito tempo, afinal, pare aí e pense quantas modelos negras você vê nas passarelas e campanhas. Nos comerciais de beleza, comece a prestar atenção no espaço delas também. E não precisa ir muito longe, na verdade. Aqui na blogosfera mesmo, quantas blogueiras negras têm inserção em campanhas, lançamentos de marcas, entre outros eventos e trabalhos do segmento. Triste, né?
Nykhor Paul, a modelo do Sudão do Sul, fez um post no Instagram sobre a falta de tato de muitos profissionais com a pele negra nos backstages dos desfiles de moda. Além de ignorarem as particularidades dos tons da pele, a modelo também questiona como o tratamento é diferenciado, em relação às modelos de pele mais clara. E sei que não é só ela que têm essa percepção. Já entrevistei meninas que também reclamaram da falta de paciência de certos ‘profissionais’ de beleza ao lidar com cabelo crespo ou cacheado em campanhas. Mais uma vez: triste realidade! 

 “Queridas pessoas brancas do mundo da moda! Por favor, não me levem à mal, mas está na hora de vocês entenderem de uma vez como lidar com nossa pele! Por que eu tenho que trazer minha própria maquiagem para um desfile profissional quando todas as outras garotas brancas não precisam fazer nada além de aparecer? Não tente fazer com que eu me sinta mal porque eu sou azul de tão negra, é 2015, vá a uma M.A.C, Bobbi Brown, Makeup Forever, Iman Cosmetic, Black Opal, até Lancôme e Clinique têm os tons, e mais um monte de marcas. Há tantas opções aí fora por peles negras hoje. Um bom maquiador viria preparado e faria uma pesquisa antes de um trabalho porque aí você sabe o que esperar, especialmente em um desfile! Parem de se desculpar, é um insulto e um desrespeito comigo e com a minha raça, e não ajuda em nada, sério! Faça um esforço, pelo menos. […] Estou cansada de reclamar por não ser escolhida por um trabalho por ser negra e definitivamente muito cansada de me desculpar pela minha negritude!!! Moda é arte, arte nunca é racista, deveria ser inclusiva para todos, não só pessoas brancas. […] Por que nós não podemos fazer parte da moda de forma plena e igualitária?”

Essa reclamação dela também me lembra uma situação constrangedora que passei em um local que trabalhava. Esperávamos um convidado, negro, e na maquiagem do local não tinha nenhum pó em tom escuro para matificar a sua pele antes dele entrar no estúdio. Uma coisa trivial, sabe? Se tem um espaço para maquiagem, tem que ter espaço para todos os convidados que possam vir a aparecer, não apenas para alguns, que participavam mais do programa, como foi justificado. 
Por isso admiro atitudes como a de Nykhor, que colocou a boca no mundo sobre algo que, como ela mesma disse em seu post, já deveria ter evoluído. Muitas marcas têm essa consciência e oferecem diversidade de produtos, que atendem os diversos tons de pele. Mas o que adianta se os profissionais ignoram a mulher negra nos mercados de moda e beleza? Se eles não se preocupam em entender as particularidades das modelos de cor, tratando-as como iguais, e não as constrangendo com uma maquiagem errada, cinza, mais feita e acabada? 
Caberia mais diversidade nessa foto, não? 
O questionamento de Nykhor também é meu, que, assim como ela, já precisei levar minha própria maquiagem para trabalhos ou tive meu nome cortado de listas de marcas por não ser o “padrão” da mesma (e ao ver, posteriormente, fotos dos trabalhos e lançamentos entender exatamente qual é o padrão). É cansativo ter que bater sempre nessa tecla? Claro que é! Mas, mais do que isso, é necessário continuar batendo nessa tecla para mostrar que a mulher negra precisa do seu espaço na moda e na beleza. Que a beleza dela inspira tanto ou mais que qualquer outra. É preciso que haja representatividade, que a inspiração das passarelas e campanhas de maquiagem atinga mais de um ponto. 

Karla Lopes

Karla Lopes tem 29 anos, é de Belo Horizonte, empresária, jornalista e criadora de conteúdo atuando há 12 anos na internet. Além disso, é a criadora da Lunnare Co., marca de autocuidado holístico que trabalha a magia das ervas. Por aqui, vocês vão encontrar conteúdos autorais de comportamento, bem estar, espiritualidade e beleza. Tem experiência com comunicação criativa, textos de comportamento, produção de moda e cultura e também criação e edição de vídeos para a web.

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