Pesquise aqui...
TOP
Uncategorized

Divagações: o dia em eu quis matar uma pessoa

Lembram quando eu disse que o Hey Cute iria ficar um pouco mais pessoal, assim como era nos primórdios do blog? Pois é, me aproximar ainda mais de vocês é o que quero neste ano e vou fazer bastante isso pela tag Divagações, que é designada a textos (quase sempre) pessoais. Pelo o que vi na pesquisa que fiz aqui há uns dias, muitas de vocês gostam bastante dela, obrigada! <3
Apesar do inicio fofo deste post, vim aqui contar para vocês sobre o dia em que eu quis matar uma pessoa. Ok, vira e mexe a gente tem vontade de matar alguém, mas é só em sentido figurado, né? Dessa vez não. Dessa vez eu quis matar de verdade. Se tem uma coisa que me tira do serio é eu me sentir oprimida por ser mulher. Sério, nada me deixa mais indignada, com raiva, sangue nos olhos. Dias desses aconteceu uma coisa que me deixou fora de mim, muito menos ‘cute’ do que vocês conhecem.
Estava eu, andando na rua normalmente, voltando da farmácia, quando comecei a ouvir alguns insultos (não, eu não chamo o que eu ouvi de cantada, à propósito, eu odeio essa palavra, só pra constar). A primeira reação foi medo, depois raiva. Não era obrigada a ser assediada. Não era obrigada a ser oprimida.
Cansada, e com ódio correndo pelas veias, num impulso louco, eu me virei e comecei a xingar o cara. Mandei ele me respeitar, mandei ele pensar nas mulheres da vida dele antes de me insultar na rua, disse que ele não tinha direito de se quer dirigir a palavra a mim . Ele me respondeu que eu tinha sorte de estar em público, se não eu ia ver o que era bom pra tosse. Minha crista abaixou. Me assustei, e muito, mas mesmo sim ainda falei mais algumas coisas e segui o meu caminho (fiz um diferente do habitual porque fiquei com medo dele me seguir).
Cheguei em casa com ódio, muito ódio, e medo. E agradeci por não andar armada e desejei coisas muito ruins ao animal que me assediou na rua. Passou pela minha cabeça que, talvez, ele tinha feita tudo isso porque eu estava de short, mas esse pensamento saiu de cena logo. A culpa não é minha. Não era eu que estava com as roupas erradas, no lugar errado, pedindo por aquilo. Eu estava apenas voltando da farmácia.

Leio muitos blogs (inclusive o maravilhoso Think Olga, de onde tirei as imagens deste post) que abordam essas tipos de casos e, por mim, tatuava a campanha Chega de Fiu Fiu (também do Think Olga) na testa. Só nos, mulheres, sabemos o que estar na defensiva o tempo todo. Reagir com medo a cada olhar mais demorando, mudar o caminho de sempre para não correr riscos, atravessar a rua para não passar perto de um grupinho masculino, rezar para uma mulher sentar ao seu lado no ônibus ao invés de um homem, evitar pegar transporte publico cheio (eu NUNCA pego ônibus cheio, nunca. Quem me conhece sabe que que eu sou neurada com isso), entre muitas outras coisas que só quem lida com assedio todos os dias sabe. Porque quando um homem pensa que vai ser assaltado ou está sendo observado, ele, com certeza, só teme a morte. Nós, mulheres, temos ainda que temer o assédio, o estupro (que, pra mim, é pior que a morte!).
Este é só um pequeno relato do dia em que eu desejei ver uma pessoa morta, mas a gente sabe que esse ser que me assediou não é o único, nem pra mim, nem pra vocês. Tem sempre aquele padeiro engraçadinho, o trocador abusado, o cara que diz que a mulher deve ser uma dama na rua e uma puta na cama (sim, já me falaram isso e retruco essa frase odiosa dizendo que na rua, na cama ou na pqp eu posso ser quem eu quiser sem cagaçao de regra de ninguém, vlw flws), entre outros.
Machismo. Opressão. Sexismo. Coisas que eu abomino, tenho nojo e luto contra sim, senhor. Porque a luta é árdua, a gente ouve cada coisa, convive com muitas outras, mas ela continua enquanto tiver gente para lutar. Não passarão.
Se você aí que estiver lendo também quiser desabafar sobre isso, faça dos comentários seu pedestal!

Karla Lopes

Karla Lopes tem 29 anos, é de Belo Horizonte, empresária, jornalista e criadora de conteúdo atuando há 12 anos na internet. Além disso, é a criadora da Lunnare Co., marca de autocuidado holístico que trabalha a magia das ervas. Por aqui, vocês vão encontrar conteúdos autorais de comportamento, bem estar, espiritualidade e beleza. Tem experiência com comunicação criativa, textos de comportamento, produção de moda e cultura e também criação e edição de vídeos para a web.

«

»

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *