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Até que ponto a moda se tornou democrática?

Há uns dias eu precisei fazer uma entrevista para uma matéria da faculdade. O tema era livre, então, puxei sardinha para o nosso lado e escolhi um tema que gosto muito debater: a democratização da moda. Como fonte, escolhi uma professora que admiro muito: Carla Mendonça, que leciona as disciplinas História e Produção de Moda na univerdade FUMEC, aqui em BH. 
Como na faculdade eu tinha um limite pequeno de espaço para publicar o texto e a entrevista ficou muito legal, eu resolvi compartilhá-la com vocês. Acho que é um assunto a gente sempre pensa, né? A moda mudou, ficou, sim, mais democrática, mas até que ponto? Democrática para quem? Bom, leiam a entrevista com a minha xará e depois me contem nos comentários a opinião de vocês! 
Karla Lopes – Posso afirmar que a moda agora está mais democrática?
Carla Mendonça – Seguinte, eu acho que tem uma democratização sim, mas a gente precisa tomar um pouco de cuidado para não se empolgar tanto com as coisas. Se não a gente fica, “ah, a moda tá super democrática”, e não, não é uma democracia que vai atingir todo mundo. Até porque, por mais que a informação de moda circule, o preço ainda é fator conflitante. Hoje em dia é mais democrático, uma vez que a gente tem fast fashions, as pessoas têm mais acesso à informação, internet, coisas que eram restritas a um grupo que só via o assunto em revistas. As coisas são mais democráticas, mas isso não quer dizer que todo mundo terá acesso.
K – E como era antes? Você pode me dar uma panorama desse processo de (pseudo) democratização?

C- Claro, veja bem, essa ideia do que todo mundo pode vestir ou não muda de fato com a Revolução Francesa. Em 1979, quando a revolução acontece, uma das primeiras coisas a cair foram as leis suntuárias, que eram leis que diziam os que os pobres poderiam usar, tipos de tecidos, e etc. Então, a maioria dos autores vai demarcar essa época como o início de democratização da moda. Mas, apesar disso, da possibilidades das pessoas usarem o que quiserem, querer não é poder. No século XIX, a gente tem a criação da alta costura que tenta instaurar o luxo para poucos de novo. Durante o reinado de Napoleão III, que tinha uma esposa assumidamente fashionista, você já vê uma ideia uma nova moda. E aí cria-se essa onda de satisfação, de desejo. E esse desejo voltando ao que acontecia na Revolução Francesa: todo mundo correndo atrás dos mais ricos. Depois, em meados do século passado, o prêt-à-poter, depois da Segunda Guerra, vai democratizar. Isso acontece porque as marcas começam a produzir bons produtos em larga escala por causa da confecção de uniformes para guerra (triste, mas é verdade). Depois dos anos 90, com os mercados de estilo, vem os anos 2000. E como eles, vieram a internet, blogs, e outros meios, transmitindo uma ideia maior de democratização da moda mas, de novo, não quer dizer que todo mundo pode comprar o que está em alta no momento. 
K- Você considera a internet como um fator importante neste processo?

C- É decisiva! É onde as pessoas vão buscar informação e inspiração. Tudo bem que, por exemplo, aqui no Brasil, elas continuam vendo novela como referência de moda. Mas sempre vão procurar mais informações em inúmeros outros meios, como blogs, redes sociais…
K- Falando sobre comunicação, as revistas também estão mudando seu posicionamento? Pensando no público que, agora, começa a consumir moda?

C- A Valeska Popozuda está na Vogue. Revista é tudo de bom e as grandes publicações, como a própria Vogue, estão conversando com o público que, agora, também querem consumi-las! 
K- As grandes marcas de fast fashion, se antes não tinham uma preocupação muito grande com a história das tendências, hoje o posicionamento é outro, né?

C- Com certeza! Inclusive, se estes meios não trazem informações de moda para suas araras, eles estão fora do mercado. As pessoas querem a modinha. Querem comprar e sabem que aquilo não vai durar. E o melhor disso, é que as lojas conseguem pegar o que é febre e produzir rápido demais. Nessa velocidade, as lojas vendem todo seu estoque até a próxima modinha chegar. Ao passo que, por mais que eles vendam este tipo de tendência, mais popular, você tem uma criação de imagem de desejo que passa pela informação de moda mais luxuosa, de grife. Então, a partir disso, tem as parcerias com grandes estilistas, que não trazem tanto dinheiro, mas dão mais visibilidade, credibilidade…
K- E atrai também pessoas que não têm costume de comprar nessas lojas.

C- É o que mais acontece! Por exemplo, sei lá, a coleção do Roberto Cavalli para a C&A: 299 reais uma camisa de seda, não é democrático, mas você leva um outro tipo de público para a loja e cria credibilidade em relação à marca. 
K- Do outro lado, o mercado de luxo também está pensando um pouco mais fora da caixinha, né?

C- Claro, com certeza. A gente vê essa mudança. Por exemplo, Chanel não produz mais só para a mulher francesa. Ela produz para as chinesas, italianas, norte-americanas, brasileiras, pra quem o dinheiro está na mão agora. Então, ao invés de uma coleção que só pensa no estilo consumido na França, eu tenho tênis com a alta costura, um desfile no supermercado, uma leitura jovem – mesmo que o preço continue sendo um preço de Chanel.
K- Como essas pessoas que estão chegando agora para consumir esse tipo de informação de moda estão lidando com o meio? Você acha que elas realmente querem aquela tendência ou é passageiro?

C- No caso Brasil, da classe C emergente, acho que tem, sim, muita gente que quer consumir essa informação de moda. Mas acho que ainda estamos engatinhando para entender esee público, não só a moda, como todos os setores. Esse grupo quer aprender sobre, mas, ao mesmo tempo, ele tem uma identidade muito forte. Ele pode até querer uma modinha de novela, uma coisa aqui, outra acolá, mas, na maioria das vezes, a personalidade fala mais alto. Acho o máximo!
K- E no futuro? Você acha que essa democratização, de fato, vai acontecer, passar da página dois?

C- Ah, ela tende a crescer! Não tem como, a informação está ficando cada vez mais rápida, Espero que as roupas tenho mais qualidade, que a gente possa comprá-las por um preço justo, mais barato. Torço por isso!
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Karla Lopes

Karla Lopes tem 29 anos, é de Belo Horizonte, empresária, jornalista e criadora de conteúdo atuando há 12 anos na internet. Além disso, é a criadora da Lunnare Co., marca de autocuidado holístico que trabalha a magia das ervas. Por aqui, vocês vão encontrar conteúdos autorais de comportamento, bem estar, espiritualidade e beleza. Tem experiência com comunicação criativa, textos de comportamento, produção de moda e cultura e também criação e edição de vídeos para a web.

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