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A magia de estar em um desfile ainda é a mesma?

Já faz algum tempo que venho matutando essa questão em minha cabeça. Vi, há uns meses, Anna Wintour, editora da Vogue americana, alertando em uma entrevista que era preciso repensar o formato das apresentações de moda. Aí, ontem, li também uma entrevista do estilista Fause Haten afirmando a mesma coisa, nessas palavras, para ser mais específica: 

“Segundo ele, quando marcas como a Tufi Duek recuam de um desfile e preferem fazer ações pontuais estão adotando uma nova estratégia. “Eu também não desfilei a minha última coleção e agora pretendo fazer uma performance para 50 pessoas. Acho que o desfile não ocupa mais a sua função de convencer a mulher a usar uma determinada roupa”, ressalta.”

Quando comecei a trabalhar neste meio da moda há mais ou menos uns 6 anos, ficava encantada pelos desfiles que assistia. Era tudo muito novo, tudo muito deslumbrante. Hoje, não mais. Ainda sou uma formiguinha em âmbito profissional, tenho consciência disso, mas dando a minha opinião como mera espectadora e apreciadora do segmento, acho que o formato dos desfiles apresentados nas semanas de moda está engessado.
Claro, uma grande semana de moda é um marco histórico no segmento e isso nunca vai mudar – ainda bem. Todo ano a gente espera pelas temporadas nacionais e internacionais, da mesma forma que esperamos um diferencial nos eventos e, quase nunca, ele vêm. Assistimos as apresentações das marcas sentadinhas nas cadeiras das salas de desfiles. Vemos sempre alguma picuinha por causa da fila A, jovens que estão começando a entrar no mundo da moda, profissionais experientes que estão ali para passar informação de qualidade – outros não, gente que só quer tirar selfie ou colocar o iphone na sua frente para filmar o grand finale do desfile, gente que não está nem aí pra nada, não entende nada e só compareceu ao evento porque foi pago… Enfim, tem de tudo – e vocês que também trabalham no meio sabem! 
Aí, no final, todas essas pessoas se encontram, comentam sobre uma peça ou outra, da grandiosidade de alguns desfiles de marcas que tentam coisas diferentes, e só. A observação é rasa, já que a passarela é distante e as modelos passam rapidamente. E o trabalho do estilista? Bom, naquele momento, de certa forma, dura poucos segundos porque logo em seguida vem outra marca para apresentar sua coleção. É claro que é possível ir ao showroom ou loja da marca para ver tudo de pertinho, mas porque não pensar em apresentações pequenas e mais intimistas nas próprias semanas de moda, com pessoas que estão, de fato, interessadas em conhecer todo o trabalho da marca, divulgar e ver um pouco mais de perto o que tem sido feito para a temporada em questão? 
Como disse Fause Haten em sua entrevista à Gazeta do Povo (que vocês podem ler aqui), não sei se o desfile em si causa aquele desejo incontrolável mais. Penso que você tocar na peça, ver os mínimos detalhes, tecidos, e, porque não?. conversar com o estilista sobre a sua criação seria muito mais proveitoso. Reafirmando, sou bem pequena (ainda!) no meio, mas pelo meu pouco tempo de vida profissinal, já consigo observar algumas coisas que estão saturadas e precisam ser mudadas. Se daria certo, não sei. Mas só das marcas tentarem, já é um respiro, aquele velho frescor num método engessado que, pelo menos pra mim, não atrai mais. 

Karla Lopes

Karla Lopes tem 29 anos, é de Belo Horizonte, empresária, jornalista e criadora de conteúdo atuando há 12 anos na internet. Além disso, é a criadora da Lunnare Co., marca de autocuidado holístico que trabalha a magia das ervas. Por aqui, vocês vão encontrar conteúdos autorais de comportamento, bem estar, espiritualidade e beleza. Tem experiência com comunicação criativa, textos de comportamento, produção de moda e cultura e também criação e edição de vídeos para a web.

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