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Você tem feito algo para atrair coisas boas para a sua vida?

Foi mais ou menos essa frase do título que uma amiga me disse quando fui contar uma coisa muito boa que tinha acontecido comigo. Ela perguntou porque é uma pessoa com a qual eu tenho segurança em compartilhar as minhas coisas e até pediu desculpas por achar que estava estragando o meu momento de felicidade com suas frustrações. Não estragou porque foi essa pergunta que gerou uma conversa em que eu pude contar tudo que fiz, sem fórmulas mágicas, para tentar melhorar tudo que estraguei no ano passado.

Assim como contei aqui, na carta que escrevi para este ano, 2015 foi muito ruim para mim. Tudo que tinha para acontecer e me derrubar, aconteceu. Mas, ao mesmo tempo, quando ele começou a melhorar, mais ou menos em novembro, eu tentei extrair o que eu poderia aprender com tudo de mal que tinha acontecido e comecei a colocar em prática.
O primeiro aprendizado foi parar de me comparar com os outros. Eu tive um problema SÉRIO de autoestima entre meus 14 e 20 anos e isso acontecia porque eu ficava me comparado e me diminuía frente a todo mundo. Me sentia mal por não ser branca, rica e com um estilo de vida incrível. Ia na maioria dos eventos aqui de BH e, mesmo que algumas pessoas me tratasse bem, eu via que não pertencia àqueles lugares. A minha felicidade por estar em certos locais não era genuína. Postava no Instagram, contava aqui no blog mas, no fundo, no fundo, sabia que não me encaixava ali. Não só eu sabia como a maioria das pessoas que estava no mesmo local também.

Mas eu tentava mesmo assim porque achava que ir à estes lugares seria a única maneira de eu me encaixar, de mostrar quem eu sou. Ainda bem que, depois de um tempo, percebi que não era isso. Que eu não precisava ser igual às outras pessoas para provar que era boa ou inteligente, sabe? E que o fato de eu não me encaixar não deveria ter nada a ver com a minha classe social ou  a minha cor de pele. Que eu não me encaixava porque tudo aquilo não era o que eu queria de verdade, que eu não precisava ir em tudo que acontecida só para me mostrar e fazer social com pessoas que me olhavam torto ou me tratavam bem por obrigação.

Aí, com isso, eu parei de me esforçar para agradar todo mundo, para ser fofa com todo mundo e comecei a ser fiel a mim mesma, ao que eu sou, ao que eu acredito – mesmo ainda trabalhando no mesmo segmento. Parei também de diminuir minhas conquistas. Tipo, lamentar muito mais pelo o que eu não tenho do que comemorar o que tenho.

Eu sou uma pessoa muito pessimista e eu não acredito muito em mim. Quem me conhece de verdade sabe disso. Às vezes as pessoas falam as coisas comigo, me elogiam, e acho que estão falando só para me agradar porque eu, DE CORAÇÃO, não enxergo o que enxergam em mim. E não falo isso para ganhar confete. Eu até fico com muita vergonha quando me elogiam demais. Juro que não sei como agir. Mas, mesmo assim, eu não deixo de tentar, entende? Posso não crer que vá acontecer, mas nunca deixo de tentar. Contraditório, mas mesmo sendo pessimista, eu tento!

Contei para minha amiga que um divisor de águas na minha vida foi perceber que eu não preciso fazer o que todo mundo faz. Por exemplo, sou jornalista, vocês sabem, mas não tenho aquela vontade louca de apresentar um jornal em horário nobre. Nunca tive! Sempre gostei dos bastidores, da produção, da parte que a maioria das pessoas acha que nem existe no jornalismo simplesmente por ela não aparecer para o grande público.


Claro, quero ser reconhecida no que faço, mas não tenho aquela ambição louca de trabalhar na maior empresa do mundo só para impressionar a família nos almoços de domingo, entende? Se acontecer, ok, mas se eu estiver infeliz mesmo sendo A empresa que todo mundo baba, eu não vou querer estar lá. Já tive a experiência de adoecer no ano passado por estar em um lugar em que eu não me reconhecia e e não quero que isso aconteça nunca mais na minha vida.

A maioria dos meus familiares não entende o que faço. Trabalho em casa com assessoria de imprensa na Re Alves, sou editora de conteúdo no Superela, escrevo para o Chata de Galocha e Desafetada, além do Hey Cute. De vez em quando faço alguns outros trabalhos também. Fora os mini projetos que, de vez em quando, eu taco na roda. A maioria conhece? A maioria não conhece, mas eu não importo.

A minha mente é muito hiperativa. Eu sempre tento pensar em algo novo, em algo diferente… Pensar é o meu passatempo favorito! Tento trabalhar de forma criativa, pensando em ajudar outros mesmo. Não sou uma santa, mas importa pra mim fazer algo que vá acrescentar de forma positiva na vida de alguém. E mesmo que não seja gigantesco ao olhar dos outros, eu não me importo. Sabe por quê? Por que eu amo o que faço. Eu me identifico com tudo que faço. Fico cansada às vezes, claro que fico. Sou humana, ora bolas. Mas, ao final do dia, mesmo cansada, estou com um sorriso no rosto porque acredito muito no trabalho que faço, nas empresas para as quais eu presto serviço. Pra mim, é tão grande que enche meu coração de orgulho a cada release feito, texto editado e post publicado. Não há melhor reconhecimento que este, sabe? O reconhecimento pessoal!

Sempre explico para as pessoas que eu sou, sim, jornalista mesmo não sendo repórter do jornal local, que jornalismo vai muito além disso. E explico com orgulho porque me sinto muito grata por fazer todos estes trabalhos e ficar feliz com eles.

A terceira coisa que contei a minha amiga talvez tenha sido a mais importe das três: entender quem acrescenta ou não na minha vida, quem é bom para sentar e contar minhas conquistas e quem é bom só para eu tomar um copinho de cerveja e falar amenidades. Separei MESMO o joio do trigo e hoje sei muito bem pra quem eu conto as minhas coisas


Muito do meu pessimismo e falta de crença em mim mesma vinha de pessoas que diminuíam minhas conquistas ou desacreditavam nos meus sonhos. Como eu contava para amigos, não via problema em compartilhar minha felicidade. Afinal, amizade também serve para isso, certo? Mas aí notava o problema quando a pessoa me respondia algo assim: olha Ká, você é muito boa, mas bota o pé no chão, isso não vai dar certo, isso não vai te levar a lugar nenhum, você tem que trabalhar de carteira assinada, entrar às 9h e sair às 18h… Ou algo como: nem adianta tentar porque não vai dar certo. E o pior é que muita dessas falas eram carregadas de um deboche e de uma descrença que me deixavam até ofendida, sabe? Eu sei distinguir conselho disso tudo, entende?

E eu era tão boba que contava tudo para essas pessoas. O que a insegurança não faz, né? Eu cortei isso da minha vida, no sentindo de que elas não sabem de NADA que eu faço. Quando sabem é porque viram na internet, sei lá. O que é muito pouco, inclusive, já que eu quase não posto sobre minha vida pessoal nas redes sociais. Como boa escorpiana que sou, não dou material o suficiente para me stalkearem, haha.

Os comentários dessas pessoas me fizeram muito mal e no pior momento da minha vida, que foi no ano passado. Agora, que eu estou mais lúcida e me sinto mais forte, eu fechei uma porta para elas que não vai se abrir nunca mais porque não gosto de estar com pessoas que fazem questão de puxar os sonhos dos outros para baixo, seja por maldade, por serem “super sinceras” ou por descontarem suas frustrações em quem gosta de dormir imaginando um amanhã melhor e diferente.

Por fim, falei com a minha amiga para ela valorizar suas conquistas. Sei que a gente quer muito mais, mas pra que diminuir o que temos em função do que não temos? Valorizando o que já temos é a melhor maneira de ter muito mais. Não estou dizendo para se contentar, mas sim estar contente. Olhar para o que conseguiu, agradecer e lutar para conseguir ainda mais, sem esquecer ou diminuir qualquer pequeno passo que vai te levar muito mais além.

Como contei para ela, eu não sou uma pessoa fácil. Meu coração pesa às vezes, sabe? Especialmente depois do ano passado. Mas tenho aprendido a ser mais leve. Tenho minhas questões, posso ser muito fechada às vezes, mesmo que não pareça, sou muito desconfiada (mesmo) e tenho a mania de carregar experiências do passado para as novas. No sentindo de ter medo de o que deu errado ou me fez mal, acontecer de novo, me impedindo, muitas vezes, de viver coisas incríveis na vida. Tenho vários “e ses?” dentro de mim. E eles me tiram o sono até hoje. Muitas das minhas crises de ansiedade que vivo comentando sobre com vocês, especialmente no Snapchat (é blogheycute :D), acontecem por causa desse “como poderia sido”.

Apesar disso tudo, de ser esse poço de intensidade em que sempre mergulho e quase me afogo, sinto que sou uma pessoa muito melhor depois de ter mudado estes pontos que percebi que atrapalhavam minha vida. Acho que preciso até pedir desculpas a quem me conheceu entre junho de 2014 e novembro de 2015. Vou aproveitar o espaço para realmente pedir essas desculpas. Eu não era eu mesma, e hoje vejo claramente isso. Era tanta coisa me barrando, me prendendo, me impedindo, que eu afastei muitas dessas pessoas por não saber controlar o efeito que meus problemas tinham sobre mim.


Depois de perceber claramente o que me atrapalha e o que eu quero para minha vida, nasceu, sim, uma nova Karla. 2016 tem sido um ano muito novo e eu estou até meio que eufórica com tantas coisas boas que têm acontecido. Ainda tenho alguns buracos, é claro, mas só de entender o porquê deles terem acontecido e aceitar que eles não serão mais preenchidos, mesmo que às vezes doa MUITO este vazio, tudo bem. Aprendi a conviver com eles e só de já ter muitas coisas boas para comemorar, me sinto leve, realizada, feliz e com gás para manter e aumentar tudo isso, sabendo que terei forças para lidar com os eventuais problemas que possam surgir.

Contei tudo isso para a minha amiga, mas, por conselho dela, resolvi contar para vocês também. Mesmo que a gente seja próxima por uma rede de internet, acredito que tudo que eu disse possa ajudar vocês aí do outro lado também. E eu espero mesmo que ajude. Ninguém sabe os demônios que combatemos e ninguém é forte sozinho. A nossa força também vem dos outros. E é importante saber disso para lembrar que você não está sozinho e que não deve enfrentar tudo trancado dentro do seu quarto.

Karla Lopes

Karla Lopes tem 27 anos, é de Belo Horizonte, blogueira e jornalista trabalhando há 10 anos com produção de conteúdo para a Internet. Além disso, aventura-se com produção de cerâmicas feitas à mão (que são vendidos na minha loja: www.heycutestore.com). Tem experiência com comunicação criativa, textos de comportamento, produção de moda e cultura e também criação e edição de vídeos para a web.

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