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Comportamento

Sobre espontaneidade e seu papel pra gente se colocar no mundo

Desde pequena que “espontaneidade” é uma das características atribuídas a minha personalidade. É aquela coisa de não saber esconder o que sente a respeito dos outros, ter respostas muito claras e ter na cara a estampa do seu estado de espírito.

Eu levava essa característica como uma das minhas principais, mas desde o final do ano passado, em que comecei a me conhecer melhor num despertar intenso, percebi que a minha espontaneidade é seletiva. Ela existe, mas não comigo mesma.

Certo dia na minha terapia, depois de uma sessão intensa de Reiki, minha terapeuta (é a @lilianrochareal maravilhosa!) perguntou: “você é espontânea?”. Respondi rapidamente que sim, mas depois, ao chegar em casa, fiquei com isso na cabeça. Na mesma semana, na minha primeira mentoria criativa com a Ly Takai (@alytakai, outra maravilhosa!) ela disse, não com essas palavras, que eu me escondia. 

Lembro que terminei a mentoria e fiquei pensando, pensando… E foi aí que eu percebi que a minha espontaneidade, a minha facilidade em sentir e demonstrar minhas emoções só funcionava com os outros. Na minha relação comigo mesma ela estava num casulo – e atrapalhava notavelmente vários âmbitos da minha vida. 

Falando especialmente sobre a área profissional, fiquei por horas pensando depois da conversa com a Ly sobre como eu poderia ser muito mais do que sou hoje. É claro que aqui o sentimento é de pura gratidão ao universo por todas as minhas conquistas, mas a vontade de ser mais, de crescer mais, de alcançar mais pessoas, apesar de existir, ficava escondida. 

Foi um novo despertar. A percepção de que a gente se esconde por N motivos. Qual é o seu motivo para se esconder tanto? O meu vem com uma bagagem de traumas e inseguranças que faziam com que eu não confiasse tanto assim na minha capacidade, mesmo sabendo que ela é gigante.

E é isso que é engraçado: a gente sabe que pode, mas insiste em se colocar dentro de um baú trancado a sete chaves. Nesses últimos dias eu comecei a abrir essas chaves e, nossa, como as coisas ficam mais legais quando a gente vai saindo de cada camadinha desse baú. 

Nesse mesmo dia do Reiki, minha terapeuta disse que eu não tinha noção do que ia acontecer comigo quando eu começasse a me permitir sentir, me expressar e soltar toda a vida presa que tenho dentro de mim. Comecei a ter um pouco dessa noção agora e, sim, não faz sentido ficar que se escondendo. 

Minha cara está aqui e ela quer ser dada à tapa no mundo. Pra quê ficar só de passagem nesse mundo quando a gente pode tão mais, né? E acho que isso é uma coisa geral, minha, sua, dos outros. A gente tende a se fechar quando a vida dá umas tamancadas na nossa cara, mas até que ponto vale se fechar pelo medo de apanhar de novo?

O quanto a gente perde por fechar todas as sete chaves do baú? A partir de hoje, meu objetivo é não ter medo de dar a cara à tapa porque, né, pensando bem, se fechar por medo do que pode dar errado também faz a gente se fechar para o que pode dar certo – e agora na minha matemática, a possibilidade do certo vai ser sempre maior!

Imagens do post:Unsplash e Tessi Eng

Karla Lopes

Karla Lopes tem 27 anos, é de Belo Horizonte, blogueira e jornalista trabalhando há 10 anos com produção de conteúdo para a Internet. Além disso, aventura-se com produção de cerâmicas feitas à mão (que são vendidos na minha loja: www.heycutestore.com). Tem experiência com comunicação criativa, textos de comportamento, produção de moda e cultura e também criação e edição de vídeos para a web.

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1 COMMENT

  • Carolina Domenico

    Tenho pensado muito sobre isso nos últimos dias. Muitos me comentam e eu também me considero espontânea, mas em que ponto eu deixei minha criança livre tão presa? Porque que hoje tenho dificuldade em diversos momentos de ser mais espontânea ainda? O que de tão ruim pode acontecer comigo e porque não me permito? São as reflexões que tenho tido…
    Mas queria te fazer uma pergunta mais prática, como posso abrir mais a chave do baú que guardo essa capacidade toda, como você diz no texto?
    Adorei o post!!

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