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Comportamento

O que você quer com o seu trabalho?

Trabalho sempre foi uma parte gigantesca da minha vida, gigantesca mesmo! Primeiro porque gosto muito de trabalhar, segundo porque sempre procurei trabalhos que também gostassem muito de mim.

Acho que em toda a minha carreira, só tive um trabalho que não me fazia bem. E foi ele que me deu o estalo para perceber uma coisa que meu pai sempre fala: nenhum trabalho vale sua saúde mental.

Eu me lembro muito bem das vezes que fui para este tal trabalho chorando por ter um chefe (o único homem, olha que coincidência rs) abusivo, que humilhava os funcionários, era antiético com as questões trabalhistas e estar num ambiente onde CLARAMENTE nenhum funcionário era feliz. Lembro de uma colega que disse que viu me estrela se apagando com o passar dos dias naquele lugar. E ela estava mesmo. Fazia o que não amava num lugar que qualquer derivação de amor ou admiração nem cabia.

Meu pai dizia que eu não precisava disso, que eu iria adoecer. A verdade é que eu também sabia que não estava bem, mas o medo de arriscar era muito maior. Fiquei quase um ano neste local, aguentando tudo com um salário pífio e ilegal. Um dia acordei e resolvi pedir demissão. A primeira demissão feliz que pedi na minha carreira. 

Existe toda uma romantização de trabalhar com o que se ama, né? Principalmente se você é da área criativa, assim como eu. E essa romantização, apesar dos boletos que chegam todo mês, é válida. Eu pensei nisso quando pedi demissão. Não fazia o que amava e estava ficando doente. Eu precisava ser romântica o suficiente para me olhar com carinho nessa hora.

E quando a gente fala sobre esses trabalhos que são mais livres, é até mais fácil pensar dessa forma (se você não se encaixa nessas áreas, responda este email me contando, tá bem?). Então, tenho pensado muito sobre meus objetivos com meus trabalhos neste ano. 

Vocês perceberam, é claro. Mudei o nome do blog, comecei a pensar em novas vertentes para as mídias que atuo, defini tudo tudinho para continuar sentindo amor pelo o que faço. A primeira coisa que pensei, e isso vale para qualquer profissão, é o que eu queria com o meu trabalho.

Acho que essa é a primeira pergunta que a gente deve fazer para entender se  vai amar o que faz ou não. Eu entendi que quero ajudar outras mulheres com meu trabalho, especialmente mulheres negras. No momento em que percebi que estava fazendo isso, com a ajuda do feedback tão importante de quem me acompanha, comecei a me sentir mais e mais feliz. Comecei a querer fazer mais e melhor.

É claro que aqui cabe dizer que isso é um privilégio sem tamanho. Não é todo mundo que pode escolher o que faz. Não é todo mundo que pode amar o que faz. E já que eu posso, eu vou aproveitar o que faço da melhor maneira possível, eu vou ser grata ao meu trabalho. 

Sempre que alguém que também tem esse privilégio vem conversar comigo sobre carreira, eu pergunto: o que você quer com o seu trabalho? O que você quer passar? O que te faz acordar todos os dias? Se a resposta é positiva, assim como acontece quando essas perguntas são direcionadas a mim, eu sei que a pessoa está no caminho certo.

Às vezes, mesmo com as respostas na ponta da língua e a felicidade ao dizê-las, a gente acha que não está no caminho certo. É a famigerada síndrome do impostor que bate e faz a gente duvidar da nossa capacidade. Porém, você já percebeu que mesmo se sentindo uma vigarista você não deixa de fazer o que gosta? Pois é… Isso também é um termômetro para saber se você está no caminho certo: o medo vem, mas a vontade de fazer também!

Sobre trabalho, o que sempre penso é se eu continuaria fazendo o que faço se não precisasse me preocupar com dinheiro. Hoje em dia a minha resposta é sim. O que é muito bom porque mostra que estou num caminho que me faz bem.

Eu acho que pra tudo na vida vale um questionamento, principalmente para aquelas questões que afligem a gente. Se pergunte: se isso é o certo, se é isso mesmo que você quer, quem você quer atingir… Coloca isso na mesa. Não é pedir demissão logo após ler este texto, mas sim pensar direitinho onde e pra quê a gente está colocando tanta energia. 

A gente passa a maior parte da nossa vida se dedicando ao trabalho, então, se nos cabe esse privilégio, não é justo se dedicar tanto a algo que não nos traz nem um pingo de orgulho, satisfação ou felicidade. 

Imagens: PexelsMaori Sakai


Karla Lopes

Karla Lopes tem 27 anos, é de Belo Horizonte, blogueira e jornalista trabalhando há 10 anos com produção de conteúdo para a Internet. Além disso, aventura-se com produção de cerâmicas feitas à mão (que são vendidos na minha loja: www.heycutestore.com). Tem experiência com comunicação criativa, textos de comportamento, produção de moda e cultura e também criação e edição de vídeos para a web.

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1 COMMENT

  • Stephanie Ferreira

    É muito real tudo o que escreve, não adianta fazer nada na vida, seja no trabalho ou em outra área, sem amor e sem que te traga nada de felicidade!

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